JOÑOÑ XTY’AÑONBÄ X-IXIK

Joñoñ xty’añonbä x-ixik,
tsa’ kilaj pañumil tyi tsuwañbä matye’lum,
uts’atybä kolem lum,
mi sujtyel che’ bajche’ ñu’p’oñi’bäl tyi pejtyelel yäxty’ulanbä oño’ty’añ.

Tyilemoñ tyi’ tyamlel lum
ya baki jiñi pa’, wuty ja,
ñäch’tyälel yik’oty ik’yoch’añbä
lichikñaj mi’ mel jiñi x-ixikob,
tsäts mi’ boñob majlel ibijlel bäk’eñ,
mukulbä icha’añ matye’el
yik’oty its’ojtyäklel tyejklum.

Ma’añik chuki mi’ cha’leñ:
tyi’ ñajtylel kmatye’lumlojoñ
woli kch’ämlojoñtyillel soñ
cha’añ mik tyijikñesañlojoñ pañumil.

SOY UNA MUJER CH’OL

Soy una mujer ch’ol,
nacida en la zona fría de la selva,
territorio de tan hermoso y amplio
se convierte cárcel con todos los tonos verdes de la historia.

Vengo de aquella lejanía
donde los ríos, manantiales,
silencios y oscuridades hacen que las mujeres sean tímidas,
firmes dibujando el camino del miedo,
los secretos de la montaña
y la encrucijada de la ciudad.

No pasa nada:
fuera de nuestras selvas
traemos música
para convidarle a la humanidad.

SOU UMA MULHER CH’OL

Sou uma mulher ch’ol,
nascida na zona fria da floresta,
território de tão belo e amplo
torna-se prisão com todos os tons verdes da história.

Eu venho daquela lonjura
onde os rios, mananciais,
silêncios e obscuridades fazem com que as mulheres sejam tímidas,
firmes desenhando o caminho do medo,
os segredos da montanha
e a encruzilhada da cidade.

Não passa nada:
fora das nossas florestas
trazemos música
para convidar a humanidade.


JUANA KAREN [Juana Peñate Montejo], originária do Campo Comunal Emiliano Zapata, em Tumbalá, no estado de Chiapas. Juana é falante da língua ch’ol, licenciada em Direito pelo Centro de Estudos Superiores de Tapachula, também em Chiapas, onde realizou cursos e especialização em criação literária. Trabalhou como tradutora de leis em sua língua nativa, roteirista radiofônica, professora no ensino fundamental e na graduação pela Universidade Intercultural de Chiapas. Foi apresentadora do Canal 10, da Televisa, e atualmente é promotora e gestora cultural em seu município. Publicou o livro Meu nome já não é silêncio [2002] e Ipusik’al matye’lum [Coração de floresta, 2013]. Cenceu o Premio Estatal de Poesía Indígena Pat O´tan, em 2020. Participou de diversos recitais, fóruns e conferências em torno da cultura dos povos originários. As traduções dos poemas ao português são de Sabrina Graciano.

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